sexta-feira, 11 de maio de 2018

O crème de la crème de Santiago - Uma semana no Chile pt.2

Na quarta-feira de manhã voltamos a Santiago, dessa vez para ficar. Cinco dias, claro. Alugamos um apartamento pelo AirBnb no centro da cidade, e ainda tenho minhas dúvidas se ficar no centro foi a melhor decisão, mas o apartamento era ótimo e a dona já estava esperando quando chegamos. Nesse momento eu já sentia falta de me estressar com algo, mas o Chile definitivamente não estava contribuindo com isso.
Como narrar todos os nossos passos durante todos esses dias me tomaria umas 10 laudas e muito tempo da minha vida, desta vez vou me ater apenas aos melhores lugares que fomos. E em tópicos.

Cerro Santa Lucía - Localizado exatamente no centro de Santiago, a poucas quadras do nosso apartamento, o Cerro Santa Lucía pode ser uma visita interessante para quem, assim como eu, exagerou na quantidade de dias ao planejar a viagem. Se não é o caso, melhor passar reto. A subida se faz a pé por uma estrada pavimentada, mas não é nada exaustivo. Para chegar a uns pontos mais íngremes - e a uma espécie de torre que fica no topo do morro - é preciso subir umas escadas de pedra de meio duvidosas. O caminho é interessante, tem muito verde, banquinhos para sentar, quiosques e um senhor tocando Beatles com gaita de boca.

Cerro San Cristóbal 
Cerro San Cristóbal - O maior e mais importante cerro de Santiago. Subir caminhando é meio complicado, dizem (e eu acredito), mas tem gente que sobe, principalmente os próprios moradores, que o fazem unicamente para se exercitar. Nós claramente decidimos ir de Funicular, uma mescla de trem com elevador que te leva até a parte mais alta. Além da vista incrível da cidade e da cordilheira, o cerro tem uma estrutura ótima, é basicamente um parque enorme e muito bem cuidado, com muito verde, cafés, quiosques, uma capela, teleférico, banheiros e acesso a wifi grátis em algumas áreas.

Cementerio General de Santiago
Cementerio General de Santiago - Sim, eu sei que tirando o da Recoleta em Buenos Aires - e olhe lá - ninguém costuma adicionar cemitérios aos seus roteiros de viagem, mas eu e Javi gostamos. Não pela morbidez, mas porque os grandes cemitérios são quase um museu a céu aberto. O de Santiago não costuma ser muito visitado por turistas, fica numa zona meio afastada e dentro obviamente não é tão pomposo como o famoso da Recoleta (embora curiosamente esteja situado na comuna de Recoleta, em Santiago), mas a fachada e todo o entorno é bastante impressionante, além de ser muitíssimo maior.

Centro Histórico - Da pra fazer tudo numa tarde: visitar (ou só passar na frente e ficar olhando de fora, como eu fiz) o Palácio La Moneda, onde fica o presidente da república, caminhar algumas quadras até chegar à Plaza de Armas, onde está o Museo Histórico Nacional (que sinceramente só vale a pena aos domingos, quando é grátis) e a catedral metropolitana. Boa parte das ruas do centro são só para pedestres, o que é legal de dia, mas depois das 20h começa a ficar meio turvo e é difícil até achar um lugar para comer. Aliás, quase tudo fecha cedo, um grande problema para mim (que me acho a cosmopolita apesar de ter nascido em Santa Rosa).

Museo de Arte Moderno
Museo Nacional de Bellas Artes/Museo de Arte Moderno - Valem a pena por dois motivos: estão no mesmo prédio, um de costas para o outro, e ficam no barrio Lastarria, que é lindo e vale a pena perder um tempinho caminhando por ali. Ao redor do casarão dos museus está também o parque Florestal, que também é interessante para dar uma voltinha. Fora isso, não espere encontrar exposições fixas com Monets, Munchs ou Manets.

Barrio Bellavista - Bairro de estudantes, hipsters, hippies, drogaditos, jovens com dinheiro e com mais ou menos dinheiro que poderia ser erroneamente comparado ao porteño bairro de Palermo e ser chamado de “boêmio”, mas não se engane. De dia é super lindo e simpático, cheio de cafés, lojinhas, galerias de arte, restaurantes e barzinhos, com um clima tranquilinho, mas à noite, dependendo da rua, o lugar meio que se transforma na sucursal do inferno. Um bar ao lado do outro tocando uma música pior que a outra num volume proibitivo e os promoters quase te arrastando pra dentro. Melhor desviar ou passar correndo.

Siete Negronis - Como boa (e falida) bar hunter, queria muito conhecer o Siete Negronis, que está entre os melhores bares da América Latina. Os tragos são de autor e realmente são bons, mas eu poderia citar pelo menos cinco bares melhores aqui em Buenos Aires, com tragos talvez até mais baratos no menu (o mais módico ali custava U$7,50). E com melhores não me refiro só à qualidade dos drinks, mas também da ambientação e da música.

Blondie - Um dos lugares que mais gostei na cidade e talvez a melhor balada que já fui na vida. A Blondie fica no subsolo de uma galeria escura e horrorosa em uma avenida com pouco movimento à noite, mas basta descer para encontrar um novo mundo. O lugar é enorme, tem quatro pistas: a maior e principal, onde nessa noite tinha um especial Morrisey, uma menor, que tocava só rock e tinha luzes coloridas no chão - e um gato (de verdade) em um dos sofás, uma mais pequena que tocava música eletrônica, e outra do mesmo tamanho só com pop a la Britney e Beyoncé. Se uma música não agradava tanto era só sair em busca de outra, em alguma das pistas o sucesso era garantido.

Dominó - É uma rede de fast food local onde se encontram os clássicos sanduíches chilenos, que são na verdade uma espécie de hot dog com muitas (mas muitas mesmo) variações de recheios e molhos. Foi também onde tomamos pela primeira vez a principal cerveja chilena, a Cristal, que ao contrário da Skol e da Quilmes, é realmente boa. Na segunda vez que fomos comemos a clássica chorrillana, prato típico chileno que não é nada de outro mundo mas é ótimo pois leva batata frita, carne, ovo frito e outros acepipes.

Considerações Finais

Comer bem no Chile é caro. Comer mais ou menos bem também não é lá muito barato. Já disse que cinco dias em Santiago é muito? Se alguém da sua família não está na lista da Forbes, jamais pegue um táxi no Chile. Os donuts da rede Dunkin Donuts são maravilhosos, mas as bebidas têm gosto de água de vala e o atendimento é devagar quase parando. Ir ao mercado público é um teste de resistência. Além de ter apenas restaurantes, os garçons gritam, brigam entre si disputando clientes e só falta que te agarrem e te acorrentem em uma cadeira. Eu acho que não chove no Chile. Todos os parques têm irrigação e há cactus everywhere. O tal do mate com huesillos, bebida típica chilena, é tão doce que faz o nosso caldo de cana parecer amargo. É tipo tomar o suquinho da lata de pêssego em calda.

Clique aqui para ler Uma semana no Chile pt.1

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