quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Um bar

Eu já conheço alguns bares em Buenos Aires, alguns realmentes muito bons, mas nunca antes havia me sentido assim ao entrar em um deles. Um bar. UM MALDITO BAR. Por que raios eu fiquei três dias em estado de êxtase porque fui a um bar? Já tentarei explicar.
Chama-se Uptown. Abriu há poucos meses na zona que a galera top chama de Palegiales, porque fica no final de Palermo, onde logo começa Colegiales. Colegiales, meu bairro. Quer dizer que o bar além de tudo é perto da minha casa. Desde que eu e Javi vimos uma foto do bar no dia da inauguração, ficamos meio obcecados em conhecê-lo.
Então em um sábado desses, fomos.
A experiência já começa na entrada: é a entrada de um metrô nova-iorquino. Nunca estive em um metrô de Nova York, mas já estive muitas vezes no subte portenho, e a maior diferença me pareceu a limpeza. Obviamente a entrada do bar não é insalubre como uma estação de qualquer metrô do mundo. Então você desce, passa por um corredor escuro com “publicidade” nas paredes e chega às roletas, onde você passa seu cartão do transporte público. Menos mal que ali não precisava, né? Porque eu não tinha créditos na SUBE (e também porque 90% do público topson do bar sequer possui um desses). Então você passa a roleta e entra em um vagão do trem e em seguida tem que sair pela outra porta para finalmente ter acesso ao bar. E que bar.




Iluminação baixa, várias mesinhas redondas com sofás vermelhos, uma barra com poucos bancos altos e uma estante de vidro gigantesca com garrafas de todas as bebidas que existem na terra.
Do lado direito estão os banheiros, com uma antessala cuidadosamente pichada, além de um “estúdio de tatuagem” e uma “farmácia”, que nada mais são do que outros ambientes do bar.
Comer no Uptown é uma tarefa que exige muita dedicação. Se você não for uma celebridade, vai ter que gastar umas boas horas do seu dia tentando reservar uma mesa para alguma noite dali a duas semanas. Se você quiser só tomar uns tragos, pode chegar cedo (às 20h25, cinco minutos antes da porta abrir) sem reserva e conseguirás um banco na barra. Se chegar mais tarde vai poder tomar também, mas em pé em algum canto.
Os drinks são caros, mas admito que já tomei outros mais caros e não tão bons em ambientes não tão lindos como esse (alô Jack The Ripper), então vale a pena. A maioria dos tragos são de autor, ou seja, você só encontra ali, mas também tem alguns clássicos, como o Old Fashioned que tanto ama meu companheiro.
Eu e Javi juntos deixamos ali aproximadamente $1.100, para três drinques cada um e a gorjeta (preço de julio de 2017). E falando em gorjeta, já se sabe que aqui em Buenos Aires esse é um hábito quase obrigatório, mas ainda tem gente (principalmente do Brasil) que não deixa. No Uptwon, no entanto, fica difícil ser mão de vaca. Os bartenders são tão lindos, estilosos, arrumados e atentos e é tão hipnotizante vê-los preparar tua bebida que sem nem se dar conta você já vai estar abrindo a bolsa, tirando umas notas e enfiando no vidro de tips.
Nosso próximo plano é ir para comer, mas como temos uma longa lista de bares para conhecer, e nosso ritmo anda meio devagar, porque também gostamos de baladas, shows e de comer pizza, não sei quando será esse dia.

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