terça-feira, 11 de julho de 2017

Das coisas que eu acreditava

Quando eu morava em Florianópolis comecei a acreditar piamente que eu não gostava de balada. Odiava a ideia de me enfiar em um lugar onde sempre tinha mais gente que a capacidade total permitida e onde ninguém dançava, porque 1- estava tão lotado que não havia como e 2- a música não contribuia. Isso porque que os DJs se dividiam em duas categorias: os indies xiitas e os que achavam muitíssimo engraçado tocar músicas que a minha tia Cleusa escutava em 1999 enquanto estendia a roupa no varal. Fora isso, havia basicamente apenas dois lugares (que não eram bares/casas de show) que poderiam ser frequentados pelas pessoas que não compactuam com o lifestyle tenho-mechas-californianas-amo-chandon-e-Jurerê-é-muito-top. E os dois lugares eram iguais, com a importante diferença de que o mais clássico tinha somente dois banheiros, e quando digo dois banheiros quero dizer dois vasos. Na outra ao menos dava para fazer as necessidades de maneira digna sem ter que aguentar um bando de hipster de coque e camisa floral esmurrando a porta.
Daí eu mudei de cidade-país, obviamente sempre relutando em pôr meus pés numa dessas. Mas de repente eu estava lá, com 26 anos nas costas, muito louca na pista, amando muito e querendo sair pra dançar uma vez por mês (sim, porque se tivesse 18 ia querer todo fim de semana). A óbvia conclusão é de que eu não gostava das baladas de Florianópolis, por razões ainda mais óbvias.
Eu achava também que o meu destino era viajar pelo mundo. Quando juntei dinheiro e vim para Buenos Aires com uma mochila de 70 litros achei que era isso o que eu queria fazer para sempre. Achava que ia passar uns seis meses aqui e depois ia voltar para a casa dos meus pais, juntar mais dinheiro fazendo qualquer coisa e logo partiria para outro lugar. Hoje eu tenho apenas preguiça de pensar em mochila pesada, hostel sujo e horas de viagem enquanto compro móveis pro meu apartamento com contrato de dois anos.
Eu também estava certíssima de que queria ser repórter da área cultural, e deus do céu, hoje tenho palpitações só de pensar nisso. Trabalhar no fim de semana, entrevistar gente que acha que é grande coisa, ver espetáculos de teatro ruins, escutar música ruim, ler livro ruim, assistir filme ruim, basicamente arruinar tudo o que eu mais gosto de fazer pra ganhar uma miséria. Por que alguém em sã consciência quereria isso? Tudo que eu desejava quando larguei a redação do jornal era um emprego de segunda a sexta, das 9h30 às 18h30, e olha, que maravilha é poder fazer planos para o meu tempo livre, que será meu sempre.

Ah, eu também era dessas que sempre sabiam bem o que queriam.

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