quarta-feira, 22 de junho de 2016

O dia em que mudei de profissão

Ou quase isso.
Ano passado quando cheguei a Buenos Aires a ideia era fazer algo diferente. Eu queria trabalhar para não gastar todas as minhas economias, mas queria algo que nunca tinha feito antes. Sei lá, garçonete. Professora. Acabei trabalhando duas vezes por semana por mais ou menos três meses em uma oficina de arte, dessas que recuperam obras, móveis antigos, molduras e que fazem coisas novas também de um jeito bem artesanal. Passava nove horas por dia cortando, encaixando, lixando, pintando madeira e era mais ou menos o que eu esperava. Não queria ter que pensar muito, nem depender de outras pessoas ou me preocupar com prazos, que era o que tinha feito a vida toda.
Quando veio a vontade de nunca mais ir embora eu comecei a ver que a coisa teria que ser mais séria em termos empregatícios e que tinha sim espaço para jornalistas brasileiros aqui. Coisa que eu nunca tinha sonhado nem em meus melhores dias. Fui a um par de entrevistas, quase todas para a vaga de community manager, sem saber muito bem qual era o trabalho a ser feito. Não passei em nenhuma, mas comecei a gostar desse troço conforme ia lendo a respeito. Passei o verão no Brasil, fiz um curso rápido de marketing digital e resolvi que era isso mesmo o que eu queria fazer aqui. Já não tinha mais muita esperança no jornalismo mesmo. No jornalismo argentino então, pior.
Voltei pra Buenos Aires e continuei procurando emprego mais ou menos nessa área. Estava mandando currículos pra tudo quanto é lugar, inclusive para vagas que não eram para brasileiros, só para manter minha meta de mandar no mínimo cinco por dia. Só que a brincadeirinha ficou séria e me chamaram para uma entrevista para uma vaga dessas. E depois para mais uma entrevista. Na mesma empresa. Que é a empresa que eu trabalho hoje, há três meses.
Trata-se de uma agencia de marketing digital, dessas coloridas, com parede verde, pebolim no pátio, churrasco na ultima sexta-feira do mês, café, chá e frutas a la vontê. Sou a única brasileira, mas também tem um colombiano, um espanhol e uma chilena que saiu faz pouco. Faz três meses que eu acordo todos os dias me perguntando por que raios me contrataram. Mas sigo ali, firme e forte.  Escrevendo umas coisas erradas por e-mail, falando de um jeito que não entendem. Mas to aí. Community manager. Cuidando das redes sociais de marcas gigantescas para toda a América latina, tudo em espanhol.  A vida é uma caixinha de surpresas.

3 comentários:

  1. Eu acompanho você desde o seu primeiro blogger, e torço muito pelo seu sucesso. Penso em te escrever faz muito tempo, enviar um e-mail, dizendo algumas coisas e principalmente pedindo desculpas por ter sido tão imatura aquela época a ponto de querer ter a sua criatividade de escrever, mas hoje eu percebi que não foi por maldade ou nem algo do tipo, foi só a fase de adolescente e de querer ser algo que eu não era. Mas enfim, não sei se depois de anos isso vai te servir ou nem sei se você lembra disso mas eu estou escrevendo mesmo assim.

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    1. Acho que não lembro. Aconteceu tanta coisa na internet dos anos 00 na nossa adolescência, tava todo mundo querendo ser alguma coisa ou tentando descobrir quem era. Todo mundo foi um pouco de tudo. Pelo menos sobrevivemos.
      Manda um e-mail! :)

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