quinta-feira, 1 de abril de 2021

As não tão sonhadas férias

Leer versión en español.

Há um mês eu estava no Brasil me cagando de medo de 1) dar positivo no PCR e não poder voltar 2) não poder voltar por algum novo decreto do presidente da Argentina cancelando todos os voos do Brasil. Duas possibilidades bastante prováveis, diga-se de passagem, considerando a situação desastrosa em que já se encontrava o país naquele momento. 

 Daí que as minhas pequenas férias de uma semana foram um estresse contínuo. Estresse este que começou já em outubro, quando minha mãe passou a perguntar periodicamente “como eu ia fazer no Natal”. No ano anterior tínhamos combinado que o Natal de 2020 eu passaria com eles em Balneário Camboriú, e desde então foi um tal de procurar passagem em todas as companhias aéreas, descobrir que não tinha nenhum voo direto a Florianópolis, pensar no que fazer e com um pouco de frustração decidir adiar a viagem por uns meses. No começo de dezembro a Aerolíneas Argentinas finalmente comunicou que os voos diretos a Florianópolis começariam a partir do mês seguinte.


Só que no mês seguinte, depois de nove meses sem voos para Florianópolis, os preços das passagens não estavam uma pechincha, como todos já imaginávamos. A data mais próxima que encontramos por um valor pagável era no último domingo de fevereiro. Compramos sem que eu tivesse nenhum real desejo de ir. No entanto, além de precisar  satisfazer os desejos da minha mãe, esses sim bastante reais, eu também tinha que buscar o notebook que eu tinha comprado pela internet no Brasil em outubro, quando a situação era outra e as fronteiras da Argentina estavam abertas inclusive para turistas.


A partir da compra das passagens meu estresse foi subindo de nível de acordo aos acontecimentos que seguiram. Ninguém sabia o que poderia acontecer dali em diante, estamos no meio de uma pandemia e por mais que a situação estivesse controlada em ambos países naquele momento, a vida é aquilo que a gente já conhece. 


Três semanas antes da viagem, o nível avançou mais algumas casas. Se eu pegasse covid naquelas três semanas e o PCR desse positivo eu não viajaria, estenderia o calvário até sabe deus quando e ainda perderia uma semana de férias. E férias são sagradas, principalmente na Argentina, onde temos apenas duas semanas. Saía de casa somente quando necessário, com duas máscaras, borrifando álcool no ar antes de respirar e me esquivando de todos os seres humanos.

Como esta vida não é bolinho, na semana anterior à viagem aconteceu quase tudo o que eu temia. Caos. Desordem. Colapso. Restrições de horários no comércio. E um dia antes, como se não bastasse, anunciaram um lockdown de fim de semana em Santa Catarina. Eu ainda nem tinha ido e não via a hora de voltar. 


Depois de fazer o PCR, preencher mil declarações juradas e seguir todos os protocolos, finalmente partimos. Com o cu na mão. As férias inteiras. A todo momento. 

A cada restaurante que a gente ia e sentava o mais longe possível das pessoas e o mais perto possível de portas e janelas, a cada caminhada na praia, a possibilidade de não poder voltar me atormentava. Eu poderia trabalhar à distância, mas a ideia de ficar presa ali, mesmo que fosse só por mais um dia, me causava pânico.


Eu só comecei a respirar aliviada quando finalmente sentei no avião de volta pra casa. 


Naquela semana que antecedeu à viagem eu achava que tinha tido um puto azar. “Justo agora tinha que acontecer isso”, pensava, irritadíssima. Mas na verdade eu tive foi sorte. Há uma semana cancelaram todos os voos do Brasil com apenas 24 horas de aviso prévio. 


terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

Histórias cruzadas

Leer versión en español. 

Nos últimos dois anos eu li quatro biografias que indiretamente se relacionavam entre si e acabou sendo uma experiência interessante. Foi como ver vários lados da mesma história no ponto de vista de outros personagens, onde certos acontecimentos ganham maior ou menor importância dependendo de quem o viveu ou o contou. 

Tudo começou com Our band could be your life, um livro onde o jornalista Michael Azerrad conta a história de várias bandas indie americanas com um recorte bastante preciso: elas começaram ou estiveram em seu auge entre 1981 e 1991. Ele escolheu treze bandas de maior destaque no underground da época e fez uma breve biografia de cada uma. Entre elas estão Sonic Youth , Dinosaur Jr, Black Flag, Minor Threat e Mudhoney. É óbvio mencionar que essas bandas estão diretamente relacionadas, inclusive essa era a ideia do livro. Mas algumas delas também acabaram cruzando o caminho dos Beastie Boys, biografia que li em seguida.

Eles nasceram nessa mesma época, viveram seu auge nos Estados Unidos nos anos 1990 e chegaram a dividir cenários, amigos, equipes e palcos. Só que em seu livro os Beastie Boys mostram uma perspectiva um pouco mais mainstream, ao menos em um determinado momento, chegando a lugares e a pessoas que nenhuma daquelas bandas tinha chegado naquela época. 

Depois foi a vez de Mark Lanegan me dar uma visão um pouco mais, digamos, obscura desse mesmo período, principalmente para o lado de Seattle. Lanegan teve problemas com as drogas durante a maior parte da vida, chegou perto da morte várias vezes e em sua biografia mostra uma realidade que a gente não vê nos shows nem no programa do Jay Leno, onde tudo sempre pareceu absolutamente normal e sob controle. Quase todo mundo naquela cena tinha problemas com substâncias em algum nível, mas nunca soube de alguém que tenha chegado tão ao fundo do poço como Mark Lanegan. Ele dividia um dos seus melhores amigos com Kim Gordon, a autora da última biografia americana que li. 

O amigo se tratava de Kurt Cobain e ambos contam como era sua relação com ele e como a sua morte os afetou, onde estavam naquele dia e como receberam a notícia. Kim conhecia Kurt antes de ele começar a sair com Courtney Love, a quem ela também conhecia e inclusive torcia para que nunca tivessem uma relação. A excêntrica e problemática Courtney Love que todos conhecemos foi quem pagou pela rehab que tirou Lanegan do limbo.  

E Kim, é claro, também cruzou o caminho dos Beastie Boys em várias situações, algo que não nos causa surpresa, já que as duas bandas começaram sua trajetória no underground Nova Yorkino. 


terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

O dia em que comi castanhas com o guitarrista do Guns N’ Roses

Leer versión en español. 

Às vezes me pego pensando na época em que fui repórter e tudo o que consigo sentir são calafrios. Não que eu tenha odiado 100% daquilo, mas por alguma razão hoje só consigo lembrar da ansiedade que eu sentia todos os dias e de como fui descobrindo aos poucos que talvez aquilo que eu tinha certeza que era para mim talvez não fosse. 

Não sei se foi culpa do jornal que eu trabalhei, das pessoas com quem eu trabalhei ou da cidade na qual eu trabalhei, mas aquela experiência que durou somente um ano e meio me trouxe uma verdade difícil de engolir: a de que talvez eu não achasse tão divertido assim ser repórter.

Um dos momentos que recordo com mais pânico e sudorese nas mãos foi quando o Guns N’ Roses tocou em Florianópolis, em 2014, com aquela formação de músicos contratados. Como repórter de cultura e mais ligada à música que os meus colegas, fui designada a cobrir a passagem da banda pela cidade. Eu sabia que não iria entrevistá-los porque quem fazia isso era sempre o jornal concorrente, que tinha circulação estadual. O que eu faria era uma reportagem pré-show, convidando alguns fãs da banda para uma espécie de jogo de perguntas. 

Nos reunimos em um bar de rock, que abriu num horário especial somente para nós, fizemos o combinado e uns dias depois, na semana do show, saiu a reportagem de duas páginas. Depois disso, o único que me restava era ir ao show e escrever sobre ele. Eu nem gostava de Guns N’ Roses, mas estava empolgadíssima.

Naquele dia eu não fui trabalhar pela manhã na redação, que era meu horário habitual, justamente porque à noite teria que ir ao show e escrever o texto em casa, na volta. Ao meio-dia almoçava tranquila assistindo tv quando minha editora ligou avisando que a banda estava no Hotel Majestic dando entrevistas para o outro jornal e pediu que eu fosse lá e tentasse conseguir alguma coisa. “Agora?”, perguntei. “Agora”, ela respondeu.

Por alguns segundos meu coração tinha deixado de bombear sangue para o resto do corpo. Eu estava congelada. Como eu poderia entrevistar o Guns N’ Roses sem me preparar antes? Sem pensar nas perguntas? Sem pensar nas perguntas EM INGLÊS. E como eu faria aquilo com o meu inglês que já não era grande coisa e ainda nervosa e despreparada? Axl cuspiria na minha cara. Mas me vesti e fui.

No caminho comecei a anotar em inglês, com ajuda do Google, alguns assuntos que me ocorreram graças à reportagem que tinha feito uns dias antes e que acabou me trazendo algum conhecimento sobre a banda.

Quando cheguei ao hotel, encontrei a fotógrafa que o jornal tinha mandado para me acompanhar. Entrei no saguão e não vi ninguém que pudesse me responder como ter acesso à banda, então simplesmente segui em direção a um grupo de gente que claramente era da imprensa. Eles estavam atrás de uma fita de isolamento e eu continuei andando como se estivesse autorizada a estar ali, até que apareceu uma moça de uma assessoria de imprensa conhecida. Ela olhou para o meu crachá do jornal e disse que infelizmente eles só dariam entrevista ao outro veículo e que na verdade naquele momento só Dizzy Reed ainda estava ali, os outros já tinham ido embora. 

O que para muitos poderia ser uma grande decepção, para mim foi um alívio. Liguei para a minha editora e contei o que tinha acontecido. Ela disse para eu ir pra casa, mas que dentro de algumas horas o guitarrista Bumblefoot daria um workshop de guitarra numa escola de música perto de onde eu morava e que eu deveria tentar de novo uma entrevista, ainda que fosse só com ele. Aquele pesadelo não tinha fim.

Passei toda a tarde suando frio, mas pelo menos pude me preparar um pouco melhor. Saí de casa meia hora antes do workshop. Cheguei na escola de música, me apresentei e disseram que o jornal já tinha ligado para avisar que eu ia. Em seguida chegou outro fotógrafo enviado pelo jornal.

Perguntei ao diretor da escola se ele achava que eu conseguiria entrevistar o Bumblefoot uns minutos antes do workshop e para o meu desespero ele disse que achava que não teria problema, mas que iria perguntar ao próprio Bumblefoot se ele topava. Caminhou uns dois metros por um corredor, bateu numa porta e a abriu em seguida. Ficou menos de um minuto lá dentro e voltou dizendo que eu podia entrar. 

Respirei fundo, liguei o gravador do celular e entrei na salinha tremendo com o bloquinho de perguntas na mão. “Hi, Ron! I don't wanna bother you” foi o primeiro que me ocorreu dizer. Ele estava comendo castanhas de caju e foi muito simpático, me ofereceu, comi duas e disse que estavam boas. Isso é tudo o que eu lembro daquele momento. Eu estava tão nervosa que nunca escutei a gravação, escrevi a matéria de memória em 20 minutos assim que cheguei em casa, e apaguei a gravação para sempre. Sem jamais tê-la ouvido. Meu pânico era tão grande que eu sabia que se ouvisse aquilo alguma vez me transportaria novamente para aquele momento. 

Não devo ter ficado nem cinco minutos naquela sala. O fotógrafo fez umas fotos dele e logo sugeriu que tirássemos uma juntos. Nos despedimos e saí, ainda tremendo, em direção ao salão onde ele daria o workshop. Assisti a metade e fui pra casa escrever a matéria e me preparar para o show que seria dentro de três horas. 

Avisei a minha editora que tinha conseguido falar com ele e que enviaria a matéria em seguida. Agora, finalmente, só restava a parte boa: ver o show e escrever sobre ele. 

Por sorte o resto do dia saiu como o esperado. A única surpresa foi eu ter gostado de verdade do show. 


sábado, 30 de janeiro de 2021

Nunca conheça o seu ídolo

Leer versión en español. 


E se ele já estiver morto, não leia sua biografia. Sério.

Ou leia, mas prepare-se para descobrir que ele é uma pessoa. Igual a você. Agora pense na quantidade de merda que tu já fez na vida. Pois então, teu ídolo é desses. O também meu era. 

Já faz mais de uma semana que terminei de ler a biografia do Gustavo Cerati e ainda não consegui me recuperar. Não só porque eu descobri que ele era um ser humano, mas porque de repente a morte dele, que sempre me fez mal, me destruiu um pouco mais. Apesar de eu só ter me tornado fã quando ele já tinha morrido, nunca aceitei a sua morte. Me parece injusta. Comigo, com as outras pessoas que gostam dele, com o Benito, com a Lisa, com a dona Lillian e com ele mesmo, apesar de não ter colaborado muito para continuar vivo.

Eu não conhecia muito da vida pessoal de Gustavo, sabia que tinha tido dois filhos com uma modelo chilena e que o mais velho tem uma banda, mas nem metade do talento do pai. Sequer conhecia muitos detalhes de como seu cérebro, e anos depois o seu corpo, deixaram a Terra. E agora acho que sei até demais.

Gustavo fez um monte de merda, como todo mundo. Merdas muito particulares, como sair com menores de idade quando já tinha passado dos 24, trair basicamente todas as suas namoradas, que não foram poucas, e até talaricar pretendentes e ex-namoradas do baterista da sua própria banda. Saber dessas coisas foi um pouco chocante, principalmente porque muitas dessas mulheres tiveram um papel importante nos discos e no estilo do Soda Stereo e dele mesmo como artista solo. Isso faz com que seus relacionamentos não sejam um detalhe menor, não são algo pessoal que o mundo poderia simplesmente ignorar. Inclusive sua morte teve muito a ver com isso.

Quando Gustavo entrou em coma tinha 50 anos e uma namorada de 22. Anos antes ele havia sido diagnosticado com trombose e tinha começado a se cuidar porque sabia dos riscos de sofrer um AVC. Mas a partir do momento em que os sintomas começaram a melhorar, mandou tudo à merda. Voltou a fazer turnês longuíssimas, a beber, fumar dois maços de cigarro por dia e a ser sedentário. O livro não diz isso com todas as letras, mas estar namorando uma modelo quase 30 anos mais nova de alguma forma o pressionou a acompanhá-la em sua juventude e esse comportamento foi letal.

Ler a parte final do livro, que narra exatamente como foi o AVC depois do último show da turnê do disco Fuerza Natural, na Venezuela, e os mais de quatro anos em que esteve em coma, terminou de me destruir. Eu estava tão entorpecida pela vida de Gustavo que uma parte do meu cérebro, enquanto eu lia, desejava que ele se recuperasse logo e saísse daquele hospital, como se eu estivesse lendo uma obra de ficção na qual eu não soubesse o final.

E como se não bastasse, agora tudo me faz lembrar dele. Gustavo morou em Belgrano, meu bairro, em diferentes apartamentos e casas, durante grande parte da sua vida. Lendo o livro descobri que já passei várias vezes em frente a um dos edifícios que ele morou na rua José Hernandez. Que a algumas quadras do parque onde vou caminhar de vez em quando fica outro apartamento que ele viveu por muitos anos. Que a uma quadra de onde eu passo de ônibus para ir trabalhar, na Zona Norte, fica o estúdio que ele montou para gravar seus últimos discos. E que as barrancas de Belgrano eram o ponto de encontro para que ele e o baixista Zeta Bosio fossem ensaiar na casa do baterista Charly Alberti, que fica em Belgrano R, no começo do Soda Stereo. 

E agora para mim é como se ele tivesse morrido duas vezes.

sábado, 9 de janeiro de 2021

Eu, Madonna e Kurt estivemos lá

Leer versión en español.


Quando eu fui ao Pyramid Club de NYC, em 2019, eu tinha uma vaga ideia de que ele era algo icônico e que inclusive o Nirvana tinha passado por ali, mas foi só recentemente, lendo a biografia de Kim Gordon, que eu tive a real dimensão do que significa o lugar. Dá até um nervoso pensar que eu estive ali. 

Dá pra dizer que a importância do Pyramid Club para a música é mais ou menos como o CBGB, com a diferença de que no Pyramid teve mais diversidade e menos movimento de bandas de punk. O CBGB era mais cool e mais famoso, mas o Pyramid ainda existe, seu edifício não é agora uma sucursal da marca de roupas Patagonia, e só por isso ele é mais legal.

Foi ali que o Nirvana fez seus primeiros shows em NYC. O Sonic Youth também chegou a tocar por volta de 1984. Um pouco antes, no final dos 70/início dos 80, o lugar era meio que um reduto drag queen e foi palco do primeiro show do Rupaul. Até a Madonna esteve ali num evento em prol dos portadores do HIV, e Debbie Harry e Andy Warhol participaram de uma festa promovida pela MTV. Isso sem falar na gente que simplesmente frequentava o lugar. 

O bar fica no térreo de um edifício construído em 1876 e desde 2012 faz parte oficialmente do distrito histórico do East Village.

Passamos pelo Pyramid depois de ir a um rooftop-bar chiquérrimo a duas quadras do The New York Times. Depois de gastar uma fortuna ali, descemos, pegamos o metrô até o East Village, onde comemos um hot dog desses de rua, e fomos em busca de um lugar para continuar a noite. Antes do Pyramid, entramos em outro bar onde naquele momento só era permitido ficar na parte da frente, porque atrás uma banda já tinha começado a tocar. Como ali mal e porcamente tinha música ambiente, nosso próximo destino foi o Pyramid. Não vou mentir, ficamos menos de uma hora lá dentro, havia pouca gente, a música não estava lá essas coisas e tomei uma margarita horrorosa, mas ganhei na entrada uma espécie de mini dildo de luzes piscantes, que voltou pendurado na minha bolsa e ficou piscando até o dia seguinte.



Há alguns dias encontrei isso na minha carteira, é uma parte da entrada que guardei e tinha esquecido completamente. 

terça-feira, 29 de dezembro de 2020

Os melhores de 2020

Leer versión en español

Organizar listas de melhores do ano é uma atividade complexa que envolve diferentes processos e fases. Começa com você muito empolgada, achando uma ótima ideia voltar a fazê-las depois de tantos anos. Logo, continua com você sofrendo para conseguir posicionar cada coisa em seu lugar sem deixar nada de fora ou enchendo linguiça para chegar a 10 itens - fase esta que inclui um pouco de insônia. E culmina com você mandando tudo à merda, vai assim mesmo, igual ninguém se importa.


Aqui vão as minhas:



Melhores discos de 2020:


1 - Dua Lipa - Future Nostalgia

2 - Oliver Tree - Ugly is Beautiful

3 - HAIM - Women in Music pt.III

4 - Joji - Nectar

5 - Taylor Swift - Evermore

6 - Taylor Swift - Folklore

7 - Bandalos Chinos - Paranoia Pop

8 - Tame Impala - The Slow Rush

9 - The Weeknd - After Hours

10 - Paul McCartney - McCartney III 



Melhores séries de 2020:


1 - Normal People

2 - The Bold Type (Temporada 4)

3 - The Mandalorian (Temporada 2)

4 - Dark (Temporada 3)

5 - Love Life

6 - O Gambito da Rainha

7 - Insecure (Temporada 4)

8 - The Umbrella Academy (Temporada 2)

9 - The Good Fight (Temporada 4)

10 - High Fidelity 




Melhores filmes de 2020:


1 - O Homem Invisível

2 - Bacurau

3 - On the Rocks

4 - Borat - Subsequent moviefilm

5 - Os 7 de Chicago

6 - The King of Staten Island

7 - O Roubo do Século

8 - Shirley

9 - The Boys in the Band

10 - Mignonnes




sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

2020: existiu ou não existiu?

Leer versón en español.

 Eu sempre começo minhas resoluções de ano novo analisando as do ano anterior e não é porque 2020 foi praticamente um buraco em nossa existência que o deixarei de fazer. Até porque, pasmem, consegui atingir vários dos objetivos propostos em dezembro de 2019. 


Então, vamos a análise anual da minha vida. Estes eram os meus planos:


- Mudar de trabalho. Que engraçado, né. Podem rir. Não foi como eu esperava, mas aconteceu. Comecei a trabalhar em um novo lugar - que não era uma agência - em fevereiro. Em março começou a pandemia e a crise não bateu na porta, deu uma voadora, e por isso não renovaram meu contrato de experiência. Entrei em pânico, é claro, mas fiquei menos de duas semanas desempregada e, agora, ao menos por enquanto, estou melhor que antes. 

.

- Aprender francês. Eu já estava com o Duolingo em 2019 e continuei com ele em 2020. A ideia era fazer mais do que isso. Porém, esse plus foi um pouco insatisfatório, só vi várias séries francesas e fiz meio mal e porcamente um cursinho grátis de nível 1. 


- Mudar de apartamento. Não rolou, principalmente por causa da pandemia. Assinamos uma prorrogação para ficar mais um ano no apartamento.


- Viajar? Sem comentários. Nem para Mar del Plata pude ir porque dois dias antes da viagem começou a quarentena. 


- Fazer um curso. No começo da quarentena aprendi um pouco mais sobre programação com uns cursos grátis da Udemy e mais pro fim do ano fiz outro, dessa vez pago, de UX Writing.


- Voltar a me exercitar. Êxito total. Dia 2 de março comecei a fazer pilates três vezes por semana em um estúdio perto de casa. Fui sete vezes e chegou a pandemia, mas não me dei por vencida e continuei fazendo em casa mesmo, todos os dias, com pesinhos e tornozeleiras. Nunca parei.


- Dar um jeito nessa tatuagem. Essa eu pensei que não daria certo. Fui no começo de março ao estúdio de tatuagem e marquei para fazê-la no começo de abril, e claramente a coisa não sucedeu como o esperado. Mas em setembro o estúdio voltou a abrir e finalmente pude fazer um upgrade no meu balão. 



Para quem passou praticamente o ano inteiro trancafiada em casa, notem que a coisa não esteve tão mal. Acredito que em algum momento de 2021 a pandemia estará controlada, de modo que estes são meus objetivos para o ano que vem:



Estudar francês, mas de verdade. Meu problema aqui foi perceber só em agosto que eu não estava fazendo nada a respeito dessa resolução de ano novo, então a minha dedicação durou pouco, nem sequer chegou a dezembro. Mas em 2021 vai.


Juntar dinheiro para viajar em 2022. Eu não juntei muito dinheiro durante a pandemia porque gastei bastante comprando coisas para a casa e o que pude juntar vai para o meu notebook novo e para ver a minha família no Brasil em fevereiro, então 2021 deveria ser um ano de economia para poder viajar em 2022. 


Fazer academia. Sinto que fazer exercícios em casa não é o mesmo que em uma academia. Eu tenho disciplina, estou ali prontinha todos os dias às 18hs e faço tudo certinho durante uma hora, mas preciso de mais potência. Tenho vontade até de fazer cross fit, algo assim mais power.


Terminar meu livro. Comecei a escrever um livro em 2019, um romance livremente inspirado nos meus primeiros meses em Buenos Aires, e depois o abandonei por vários meses. Aproveitei a quarentena para tirar ele da gaveta e agora já está na fase final. No entanto, estive revisando o texto recentemente e achei tudo uma bela de uma porcaria tosca e vergonhosa. Se eu conseguir melhorá-lo de alguma maneira talvez faça algo com ele. 


Me mudar para um apartamento com ar condicionado. Esse ano não deu, mas ano que vem se deus quiser, sério, pelo amor de deus e de todos os santos.

 

Voltar a fazer aulas de piano. Em dezembro do ano passado fui à minha última aula de piano antes das férias da minha professora e nunca mais voltei. Eu queria mudar de professora e não achava nenhuma que não fosse muito longe ou muito cara, até que o Javi, que também queria aprender piano, encontrou um professor no nosso prédio e começou a ir em março. Prometi que se ele gostasse e o professor não fosse um assediador de jovens senhoras eu iria a partir de abril. Daí veio a pandemia. Ele continuou tendo aulas pelo Zoom, mas eu não me animei, preciso ter o professor do meu lado. Espero poder voltar em 2021, porque sem esse estímulo (o de ter que pagar todos os meses), eu quase não pratico.



PSAgora quem quiser pode comprar um café pra mim! Sai só um dólar cada cafezinho e me estimula a escrever com mais frequência por aqui. Junto com ele também dá pra deixar uma mensagem sugerindo assuntos para o blog. O botão vai ficar ali no menu permanentemente.