sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Buenos bares pt.15

Club Lucero (Nicaragua, 6948, Palermo) - Eu já tava meio do avesso quando fomos ao Club Lucero porque partimos diretamente de outro bar, então tomamos só um trago cada um. É mais barato que os novos bares chiques que estão abrindo na cidade e o ambiente é um pouco menos opressor. Não é temático, mas é bastante simpático, tem um jardim nos fundos, que não aproveitamos muito porque era ainda inverno. Voltaria.

Boticario (Honduras, 5207, Palermo) - Esse lugar já estava na minha lista de must go há muito tempo, amo bares inspirados em coisas estranhas, principalmente quando tudo gira em torno disso. O Boticario é ambientado em uma farmácia antiga, tudo ali tem a ver com remédios ou ervas que curam, desde a decoração até os nomes e a apresentação dos tragos. Os preços são proibitivos, mas vale a pena. Nem que seja para tomar umnzinho e voltar pra casa.



The Little Bar (Nicaragua, 4432, Palermo) - Esse bar atualmente é a sensação de Buenos Aires por uma única razão: cerveja artesanal barata. O preço da pinta - que não é lá grandes coisas - um sábado a noite é mais ou menos o mesmo que o de outras cervejarias em dia de semana em horário de happy hour, ou seja. Fomos a sucursal de Nicaragua, que de little nao tinha nada, são três pisos de bar.

Parque Bar (Thames, 1472, Palermo) - Na mesma linha do Boticario, o Parque Bar é inspirado na botânica e envolve tudo o que tenha a ver com plantas. Novamente, da decoração até o nome, apresentação e ingredientes dos tragos. Fui com Javi e com dois amigos, cada um de nós pediu dois tragos e a regra era não repetir. Com isso acho que acabamos provando quase todos os tragos de autor disponíveis na carta. Saímos muito mais pobres do que entramos, mas felizes.

Os bartenders não são tão bonitos como os de Uptown, mas fazem bons tragos

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Como Julian Casablancas me manteve no jornalismo

Há uns dois meses, sem qualquer vestígio de sarcasmo, Javier me perguntou:

Por que tu fez jornalismo se tu não gosta de falar com as pessoas?

Segundos de silencio.

Essa é uma pergunta que eu deveria ter feito a mim mesma há, sei lá, pelo menos uns 8 anos, e que, no entanto, jamais passou pela minha cabeça. Minto, lembro que quando estava no segundo semestre da faculdade desabafei algo relacionado a isso com um colega, que era mais ou menos meu amigo, já que tínhamos gostos em comum. Recém havíamos entregado um trabalho e comentei com ele que não gostava muito de fazer entrevistas. Ele, que também era meio introvertido, rebateu: “eu também não gosto de entrevistar o cara que vende pipoca no portão, mas pensa, tu não gostaria de entrevistar o Julian Casablancas?”
Sim, obviamente eu gostaria de entrevistar o Julian Casablancas. Mas então era esse o problema? O que eu não gostava era de ter que falar com gente comum, gente que eu não conhecia? Tinha sentido, afinal eu tinha entrado na faculdade de jornalismo para trabalhar na MTV Brasil ou na Rolling Stone (descansem em paz).
Nos estágios eu achava um saco entrevistar a maioria das pessoas que eu tinha que entrevistar. Eram poucas as vezes que eu me sentia realmente cômoda entrevistando alguém. Um dos dois programas de rádio que participei durante dois anos na universidade era um desses momentos. Eu realmente gostava. Entrevistávamos semanalmente personalidades da cultura catarinense, e era divertido porque éramos um grupo e porque era rádio. Rádio é o máximo.
Quando me formei e fui trabalhar como assessora de imprensa também achava um saco ter que ligar pro cliente para pedir uma declaração sobre a greve dos funcionários da rede hoteleira e uma reverenda tortura ligar para as redações para persuadir meus colegas jornalistas a publicar o release que eu tinha mandado. Mas tudo bem, provavelmente eu achava tudo isso horrível porque nenhum deles era o Julian Casablancas. Meu dia já chegaria.
Então finalmente fui trabalhar fazendo o que eu queria. Fui ser repórter de cultura. Era em um jornal de Florianópolis, mas era algo. Se não me engano, uma das primeiras pessoas famosas, e que eu era realmente fã, que entrevistei foi o Duca Leindecker. Por telefone. Eu, que tinha pavor de usar esse aparelho até para pedir pizza, estava ali tentando discar o prefixo de Porto Alegre com os dedos trêmulos. Não lembro de algo ter saído errado, mas lembro do meu nervosismo, da boca seca, do branco no cérebro. E depois do alívio de ver tudo anotado no bloquinho e de começar a melhor parte de todas: escrever. Escrever e depois ler o texto pronto era um prazer quase sexual.
Depois vieram Edu K, Duda Calvin, Andreas Kisser, Madeleine Peyroux, Nasi, Erasmo Carlos, Samuel Rosa, Valeska Popozuda, João Barone, Bumblefoot, Costanza Pascolato (os quatro últimos pessoalmente) e outros que já não mais me lembro, e em menor ou menor grau, a ansiedade sempre estava ali. Às vezes durava dias. Às vezes era difícil dormir. Imagina quando fosse o Julian Casablancas.

Não sei bem como responder isso. Talvez eu tenha me equivocado. Eu gostava de algumas coisas, tipo música, cinema, cultura pop e gostava de escrever e também de falar sobre essas coisas, então pensei que o jornalismo podia ser o caminho. Depois, quando estava no meio do percurso as pessoas começaram a dizer que eu fazia bem o que eu tinha me proposto a fazer e continuaram dizendo até eu finalmente deixar o jornalismo de lado. E eu deixei o jornalismo de lado porque percebi que o lugar que eu queria ocupar não existia. Acho até que existiu em algum momento, mas não existe mais e não vai voltar a existir. E tudo bem, tampouco vou dizer que doeu mudar.

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Buenos bares pt. 14

Berna Brothers (Zapiola, 1.502, Colegiales) - Em uma noite congelante de sábado estávamos procurando um lugar não muito longe de casa pra comer hambúrguer e por acaso encontramos no Google maps o Berna Brothers. Sim, sim, outra cervejaria artesanal. O ambiente é minúsculo, porém um pouquinho diferente das outras 1.352 cervejarias artesanais de Buenos Aires. A música é boa, mas a cerveja é mais do mesmo e os hambúrgueres não tinham muito gosto a coisa alguma. Eu sei que tinha prometido não frequentar mais cervejarias artesanais novas, eu sei. Nem leia o que vem abaixo.

Berna Brothers
The Temple Centro (Marcelo T Alvear, 945) - Para quase tudo na vida há uma explicação, e há uma também para eu ter ido ao Temple Centro anos depois de ter ido e confirmado a falta de graça das sucursais de Palermo e Recoleta. Fomos ao Mundo Lingo, de novo, dessa vez levando amigos. A unidade do centro, talvez a mais clássica de todas, mantém a proposta Irish Pub dos primórdios, diferente das novas que os donos foram espalhando pela cidade. O lugar é enorme e o personal é inversamente proporcional a isso. Pelo menos meia hora é o que você vai levar para comprar uma cerveja, que agora é de fabricação própria e não é lá grandes coisas.

Blest (Gorriti, 4857, Palermo) - Fui ao Blest em horário de after office para a despedida de um colega, não tinha muitas expectativas, mas apesar de todo o clichê usual tenho que admitir que a cerveja é uma das melhores que tomei. Como voraz consumidora do tipo Honey, essa foi a única que provei e que realmente tinha o gosto que se propõe, sem obviamente ser doce. O melhor é que como chegamos cedo, tínhamos 50% de desconto por uma hora e meia.

1516 (Cabrera, 5225, Palermo) - Na semana seguinte, outro after office para a despedida de outro colega. Novamente baixas expectativas, só que dessa vez atingidas com sucesso. O lugar é enorme, sem muita personalidade, tem cervejas artesanais de diferentes marcas, uma Honey medíocre, e o “happy hour” com valor fixo (e bastante alto, diga-se de passagem) faz com que não valha muito a pena estar ali. Mas o que mais me indignou foi o banheiro, cujos cubículos são separados por vidros transparentes texturizados, permitindo que você acompanhe todos os passos da colega ao lado durante suas necessidades - e ela os seus, claro. Para não dizer que é um completo desastre, a música é apropriada.

quinta-feira, 12 de julho de 2018

2018, segunda parte

Há algumas semanas venho pensando se deveria fazer uma nova lista de projeções para o ano, tipo 2018 pt. 2, porque incrivelmente na metade do ano eu alcancei todos, sim, eu disse todos, os meus objetivos para o ano. Tudo bem que não eram muitos e tudo bem também que a maioria dependia quase que exclusivamente de mim mesma, mas veja bem, até um emprego novo que me paga melhor eu consegui há exatamente um mês. Ou seja.

Eu fiz a famigerada tatuagem, apesar de não ter ficado satisfeita com o resultado, o que não vem ao caso agora.
Eu fui no show do LCD Soundsystem.
Eu viajei pro Chile.
Eu fui no show do Steven Wilson, não consegui um autógrafo no disco e ainda fiquei plantada na frente do hotel por oito horas como uma boluda, mas isso tampouco vem ao caso.
E, finalmente, mudei de trabalho.

Nesse ínterim comecei a aprender a tocar teclado, meio do nada, com um teclado midi do Javier e de seu amigo Javier, e me estava saindo bastante bem até que meu computador morreu e não pude mais praticar. Comprei um novo há menos de uma semana, mas como já esqueci tudo o que eu tinha aprendido meio que tá me dando preguiça de retomar. Entao acho que podía ser isso.

Projeções para 2018.02:

- Aprender a tocar teclado

E só, porque convenhamos que estou de parabéns.

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Vimos as pernas de Steven Wilson


Estaria ficando doente já na sexta-feira? Porque domingo disseram que ele estava doente. Será que o barulho dos foguetes e tambores de 25 de Maio incomodaram muito? Teria acordado cedo por causa disso e não estava com o melhor dos humores? Ou foi a questão da casa de show, que tinha um espaço muito pequeno pro telão e ainda tiveram que usar aquela cortina horrorosa? Porque ele reclamou disso depois da segunda música.
Estive pensando nisso nos últimos dias, como uma monja budista, cheia de empatia e compreensão ao próximo, com o coração aberto para perdoar e jamais julgar alguém porque não fez algo que eu esperava.
Depois de mais de cinco horas em pé na frente do hotel, em um pequeno (grande?) surto fanático-adolescente, Steven Wilson passou reto. Reto. A menos de meio metro de mim. Quase podia sentir seu hálito e ver seus olhos detrás dos oclinhos escuros. Entrou na van e se foi. Só restou o silêncio e os olhares de quem não podia acreditar no que tinha acabado de acontecer. Logo, as perguntas e os insultos mais ou menos respeitosos, porque, afinal de contas, o amamos mais que a nós mesmos.
Às 10h45 eu era a terceira a chegar na porta do hotel. Depois de algumas horas já éramos 10 e não passava muito disso às 16h, quando ele e a banda entraram na van com seu tour manager - que acreditava ser a própria rainha da Inglaterra - para fazer a passagem de som. Por cinco horas fomos todos amigos, compartilhamos os mesmos sentimentos, inclusive a fome. Fomos amigos desde o momento em que Steven apareceu no saguão vestindo bermuda e camiseta, fingindo amavelmente que não via um grupo de pessoas do lado de fora com discos nas mãos, e subindo rapidamente as escadas em direção ao seu quarto. Talvez a primeira pequena decepção daquela sexta-feira fresca.
Pouco tempo depois desceu o baterista Craig Blundell, que saiu pela porta mais ou menos despercebido e 10 minutos depois voltou, também discretamente. Como eu não tinha nada a perder nessa vida e ele nunca ia visualizar mesmo, mandei uma mensagem por Intsagram.

“You didn’t stop to talk with us :(“

A vida às vezes nos prega umas rasteiras, e esse foi o dia oficial das rasteiras da vida, pelo visto. Fato é que em menos de 20 segundos a mensagem tinha sido visualizada e em menos de um minuto chegou a resposta.

“I will come say hi now”

Avisei aos meus novos amigos e em uns minutos Craig estava lá com a gente, assinando discos, tirando fotos, falando sobre como desistiu de dar uma volta na cidade por causa da bagunça de 25 de Maio e explicando que não sabia se Steven ia descer pra falar com a gente, porque estava dando uma entrevista e entre 3h e 4h iam sair pra fazer a passagem de som. Depois foi a vez do tecladista Adam Holzman aparecer, tirar uma foto DA gente e logo com cada um de nós.
Em um golpe de distração, de repente podíamos ver no fundo do saguão, no bar do hotel, sentado em uma cadeira de costas para nós e de frente para o baixista Nick Beggs, Steven Wilson. Já eram três da tarde e agora tínhamos o coração cheio de esperança de que depois de almoçar ele sairia para falar com a gente. Quando se levantaram, no entanto, quem saiu foi Nick Beggs, que foi simpático como os outros dois. Apesar das nossas súplicas, Steven novamente subiu as escadas e desapareceu.
A van branca finalmente estacionou na porta do hotel e com ela um gordo manco que imaginamos ser o tour manager, já que de maneira pouco polida nos mandou sair da porta e não tentar se aproximar de Steven. Disse que se a gente tentasse tirar uma selfie ele não faria o show, o que nos causou um pouco de graça. O gordo saiu e entrou algumas vezes e sempre repetia um discurso parecido. Quando faltava cinco minutos para Steven sair do hotel, mandou até um fã de uns 70 e poucos anos levantar do sofá em que estava no saguão e ficar lá fora em pé com a gente, sem tentar se aproximar de Steven.
Como eu estava sendo adolescente anyway, resolvi resgatar a rebeldía de outrem. Me posicionei muito perto da porta da van, e quando ele estava por entrar estiquei meu braço com o disco e uma caneta. “Please Steven!”. No que o gordo me empurrou com seu braço branco e flácido dizendo “I’ve told you” e recebendo um “asshole” como resposta. A porta da van se fechou, o motor arrancou e ficamos ali, sem acreditar no que tinha acontecido. Ou no que não tinha acontecido. À noite teríamos um show de três horas pela frente e cada um foi para um lado, carregando a incredulidade no semblante.
O cansaço e a frustração tinham arrancado de mim toda a vontade de ir cedo ao show para conseguir um bom lugar, então quando chegamos a fila era quilométrica e as portas estavam por abrir. No fim, acabei conseguindo um lugar razoável e pude ver-lo outra vez de perto. A cada música meus sentimentos se desencontravam mais. Eu o odiava, e com alguma razão, mas como eu poderia não amar Steven Wilson?
Quando acordei no sábado minha vida não tinha mais muito sentido. Fazia seis meses que eu contava os dias para esse 25 de maio.

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Buenos bares pt.13

Strange Brewing (Delgado, 658, Colegiales) - Já havíamos passado em frente algumas vezes, até que um sábado, depois de comer sanduíche em uma parrilla de Colegiales, decidimos ir para tomar uma cerveja. Uma só, pois regime de austeridade. Quando se vê o Strange Brewing de fora não dá pra ter muita noção do que é dentro. Tipo, te dá uma ideia, mas ela é equivocada. Não dá pra perceber que o bar é literalmente um galpão de fábrica gigante, e digo literalmente pois é ali mesmo, atrás da barra, que eles fabricam a cerveja. Tanques enormes de inox estão a vista de todos e as paredes exibem fotos de como o lugar era antes e de todo o processo de reforma para que, mais que uma fábrica, ele fosse também um bar meio hipster, com luminárias, mesinhas e poltronas. Por ser um galpão, com direito a buracos no telhado de zinco, se torna difícil instalar um ar condicionado, e os ventiladores gigantes não dão conta do verão porteño, então ainda que eu fosse rica, não ficaria para o segundo copo, pois #transpiração. A variedade de cervejas não é muito grande, mas tomei uma de café que estava muito boa.

Barra feita com livros no Strange Brewing

Trova (Emilio Ravigani, 1710, Palermo) - Trova é um Wine Bar e a única razão pela qual fomos é porque estávamos entediados em meio a um feriadão e decidimos ir ao Mundo Lingo, que ocorre ali todas as sextas-feiras. Não que eu tenha algo contra o vinho, pelo contrário, mas é que não vejo muito sentido em pagar muitíssimo mais caro pelo mesmo vinho que compramos nos supermercados chinos. A variedade de rótulos é razoável e você pode pedir garrafa ou taça, que definitivamente não vale a pena, mas se seu pai está na lista da Forbes e você gosta de provar distintos vinhos, vai fundo.

La Calle (Niceto Vega, 4942, Palermo) - Nos dias que sobraram das férias, já de volta a Buenos Aires, decidimos ir outra vez ao Mundo Lingo, dessa vez numa quarta-feira, no deprimente bar Soria, e foi tão deprimente que 20 minutos depois já estávamos na rua decidindo para que outro bar iríamos. Optamos pelo La Calle. O bar é oculto atrás da pizzaria La Guitarrita de Palermo, mas quando você chega em um certo horário e com certo look, eles já notam que você vai entrar no bar, te abrem a porta e nem precisa dizer nada. Nesse dia estava vazio, só duas mesas ocupadas, e, claro, sentamos na barra porque quase sempre preferimos a barra. Tomamos só um trago cada um, muito bem feito e bem apresentado. Os preços variam normal a alto, a música é ótima e a ambientação também. Provavelmente voltaremos.

Tragos do La Calle

Ceski (Echeverría, 2589, Belgrano) - Numa noite fria de sábado decidimos finalmente conhecer essa cervejaria que abriu há uns meses a algumas quadras de casa. Pedimos duas cervejas - eu pedi uma Honey, pois sou uma #HoneyHunter - e batata frita com cheddar e subimos para a terraza, que estava quase vazia. Se entende, tamanho frio que fazia. A cerveja estava ok, nada extraordinário, e a batata frita era tipo rústica - ou seja, típica batata frita de quem não sabe fazer batata frita. Agora, por favor, parem de abrir cervejarias artesanais em Buenos Aires. Chegamos ao limite, estamos bem com as que temos.

sexta-feira, 11 de maio de 2018

O crème de la crème de Santiago - Uma semana no Chile pt.2

Na quarta-feira de manhã voltamos a Santiago, dessa vez para ficar. Cinco dias, claro. Alugamos um apartamento pelo AirBnb no centro da cidade, e ainda tenho minhas dúvidas se ficar no centro foi a melhor decisão, mas o apartamento era ótimo e a dona já estava esperando quando chegamos. Nesse momento eu já sentia falta de me estressar com algo, mas o Chile definitivamente não estava contribuindo com isso.
Como narrar todos os nossos passos durante todos esses dias me tomaria umas 10 laudas e muito tempo da minha vida, desta vez vou me ater apenas aos melhores lugares que fomos. E em tópicos.

Cerro Santa Lucía - Localizado exatamente no centro de Santiago, a poucas quadras do nosso apartamento, o Cerro Santa Lucía pode ser uma visita interessante para quem, assim como eu, exagerou na quantidade de dias ao planejar a viagem. Se não é o caso, melhor passar reto. A subida se faz a pé por uma estrada pavimentada, mas não é nada exaustivo. Para chegar a uns pontos mais íngremes - e a uma espécie de torre que fica no topo do morro - é preciso subir umas escadas de pedra de meio duvidosas. O caminho é interessante, tem muito verde, banquinhos para sentar, quiosques e um senhor tocando Beatles com gaita de boca.

Cerro San Cristóbal 
Cerro San Cristóbal - O maior e mais importante cerro de Santiago. Subir caminhando é meio complicado, dizem (e eu acredito), mas tem gente que sobe, principalmente os próprios moradores, que o fazem unicamente para se exercitar. Nós claramente decidimos ir de Funicular, uma mescla de trem com elevador que te leva até a parte mais alta. Além da vista incrível da cidade e da cordilheira, o cerro tem uma estrutura ótima, é basicamente um parque enorme e muito bem cuidado, com muito verde, cafés, quiosques, uma capela, teleférico, banheiros e acesso a wifi grátis em algumas áreas.

Cementerio General de Santiago
Cementerio General de Santiago - Sim, eu sei que tirando o da Recoleta em Buenos Aires - e olhe lá - ninguém costuma adicionar cemitérios aos seus roteiros de viagem, mas eu e Javi gostamos. Não pela morbidez, mas porque os grandes cemitérios são quase um museu a céu aberto. O de Santiago não costuma ser muito visitado por turistas, fica numa zona meio afastada e dentro obviamente não é tão pomposo como o famoso da Recoleta (embora curiosamente esteja situado na comuna de Recoleta, em Santiago), mas a fachada e todo o entorno é bastante impressionante, além de ser muitíssimo maior.

Centro Histórico - Da pra fazer tudo numa tarde: visitar (ou só passar na frente e ficar olhando de fora, como eu fiz) o Palácio La Moneda, onde fica o presidente da república, caminhar algumas quadras até chegar à Plaza de Armas, onde está o Museo Histórico Nacional (que sinceramente só vale a pena aos domingos, quando é grátis) e a catedral metropolitana. Boa parte das ruas do centro são só para pedestres, o que é legal de dia, mas depois das 20h começa a ficar meio turvo e é difícil até achar um lugar para comer. Aliás, quase tudo fecha cedo, um grande problema para mim (que me acho a cosmopolita apesar de ter nascido em Santa Rosa).

Museo de Arte Moderno
Museo Nacional de Bellas Artes/Museo de Arte Moderno - Valem a pena por dois motivos: estão no mesmo prédio, um de costas para o outro, e ficam no barrio Lastarria, que é lindo e vale a pena perder um tempinho caminhando por ali. Ao redor do casarão dos museus está também o parque Florestal, que também é interessante para dar uma voltinha. Fora isso, não espere encontrar exposições fixas com Monets, Munchs ou Manets.

Barrio Bellavista - Bairro de estudantes, hipsters, hippies, drogaditos, jovens com dinheiro e com mais ou menos dinheiro que poderia ser erroneamente comparado ao porteño bairro de Palermo e ser chamado de “boêmio”, mas não se engane. De dia é super lindo e simpático, cheio de cafés, lojinhas, galerias de arte, restaurantes e barzinhos, com um clima tranquilinho, mas à noite, dependendo da rua, o lugar meio que se transforma na sucursal do inferno. Um bar ao lado do outro tocando uma música pior que a outra num volume proibitivo e os promoters quase te arrastando pra dentro. Melhor desviar ou passar correndo.

Siete Negronis - Como boa (e falida) bar hunter, queria muito conhecer o Siete Negronis, que está entre os melhores bares da América Latina. Os tragos são de autor e realmente são bons, mas eu poderia citar pelo menos cinco bares melhores aqui em Buenos Aires, com tragos talvez até mais baratos no menu (o mais módico ali custava U$7,50). E com melhores não me refiro só à qualidade dos drinks, mas também da ambientação e da música.

Blondie - Um dos lugares que mais gostei na cidade e talvez a melhor balada que já fui na vida. A Blondie fica no subsolo de uma galeria escura e horrorosa em uma avenida com pouco movimento à noite, mas basta descer para encontrar um novo mundo. O lugar é enorme, tem quatro pistas: a maior e principal, onde nessa noite tinha um especial Morrisey, uma menor, que tocava só rock e tinha luzes coloridas no chão - e um gato (de verdade) em um dos sofás, uma mais pequena que tocava música eletrônica, e outra do mesmo tamanho só com pop a la Britney e Beyoncé. Se uma música não agradava tanto era só sair em busca de outra, em alguma das pistas o sucesso era garantido.

Dominó - É uma rede de fast food local onde se encontram os clássicos sanduíches chilenos, que são na verdade uma espécie de hot dog com muitas (mas muitas mesmo) variações de recheios e molhos. Foi também onde tomamos pela primeira vez a principal cerveja chilena, a Cristal, que ao contrário da Skol e da Quilmes, é realmente boa. Na segunda vez que fomos comemos a clássica chorrillana, prato típico chileno que não é nada de outro mundo mas é ótimo pois leva batata frita, carne, ovo frito e outros acepipes.

Considerações Finais

Comer bem no Chile é caro. Comer mais ou menos bem também não é lá muito barato. Já disse que cinco dias em Santiago é muito? Se alguém da sua família não está na lista da Forbes, jamais pegue um táxi no Chile. Os donuts da rede Dunkin Donuts são maravilhosos, mas as bebidas têm gosto de água de vala e o atendimento é devagar quase parando. Ir ao mercado público é um teste de resistência. Além de ter apenas restaurantes, os garçons gritam, brigam entre si disputando clientes e só falta que te agarrem e te acorrentem em uma cadeira. Eu acho que não chove no Chile. Todos os parques têm irrigação e há cactus everywhere. O tal do mate com huesillos, bebida típica chilena, é tão doce que faz o nosso caldo de cana parecer amargo. É tipo tomar o suquinho da lata de pêssego em calda.

Clique aqui para ler Uma semana no Chile pt.1