sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Diário dos dias que antecederam meu último aniversário na casa dos 20

Sábado, 10/11 - Eu não acredito nessas coisas, mas ele já está aqui. Ele, o inferno astral. E quando o inferno astral se junta ao retorno de saturno não tem conversa. Hoje cruzei a cidade e fui até Villa del Parque buscar um ficus que comprei no Mercado Livre. Chove torrencialmente o dia inteiro, quase deu tudo errado, que era o que eu esperava. Amanhã vou ver MGMT, Lorde, Death Cab For Cutie e Warpaint. Talvez cancelem por causa da chuva. Espero que não. Ou que sim. Não tenho muita vontade de fazer nada ultimamente.


Domingo, 18/11 - A vontade de fazer coisas ainda não voltou ao meu corpo, amanhã é feriado, não fizemos nada nem sexta e nem ontem e acabou a vodka. Hoje fomos comprar mais e o único chino aberto pratica sobrepreço, então compramos dois vinhos brancos que saíram a metade da vodka. No fim nem tomamos porque fomos a um bar metaleiro pé sujo, mas amanhã será um novo dia.


Sexta-feira, 23/11 - Hoje fizeram uma proposta de trabalho pro Javi e segunda-feira ele já vai fazer exame o admissional. Como eu continuo sem muita vontade de sair, decidimos pedir uma pizza de rúcula com tomate seco para comemorar. A pizza veio com tomates frescos. Todo mundo sabe que eu odeio tomate cru.


Domingo, 25/11 -  Ainda me sinto estranha e sem vontade de fazer nada. Só quero comer. Ontem fomos à igreja. Sim, a uma igreja presbiteriana, porque um amigo do Javi que mora em Santa Fé se apresentou ali com seu coro. Foi interessante, era quase meia noite quando eles começaram e a gente já tinha bebido um pouco em casa. No repertório tinha Madonna, Evanescence e Gustavo Cerati. Depois fomos todos para a (nossa) casa novamente e eu quase tive um ataque de pânico porque a nova namorada de um dos nossos amigos não parava de falar e falava muito alto, com muita efusividade. Eu não aguentava mais.


Terça-feira, 27/11 - Ainda não sei o que vou fazer no meu último aniversário na casa dos 20, só sei que não vou reunir meus amigos. Talvez role um after office sexta-feira com os do trabalho e só. No sábado quero almoçar frango frito no KFC e de tarde vou fazer um brownie com doce de leite, chantilly e morango só pra mim e pro Javi. De noite ainda não sei onde vamos jantar. Não quero fazer festinha porque uma amiga brigou com o resto do grupo, um está morando na alemanha e outro tem essa namorada nova que me provoca ataques de pânico.


Quinta-feira, 29/11 - Hoje as coisas deram certo. Será que o inferno astral perdeu força? O ônibus passou em menos de dois minutos, estava vazio, sentei, li umas páginas do meu Cortázar, cheguei no trabalho e já estavam as medialunas das sexta-feiras, excepcionalmente na quinta porque amanhña forçaram um feriado por causa da reunião do G20.


Sexta-feira, 30/11 - É feriado pra mim, mas o Javi teve home office no seu último dia de trabalho. Fui comprar milanesas no açougue pra comer no almoço, fiquei 40 minutos parada esperando minha vez, enquanto senhoras ricas compravam quilos e mais quilos de diferentes tipos de carnes com diferentes tipos de corte. Eu só queria duas milanesas de carne e quando chamaram meu número me informam que não tinha mais, só de frango. Quase tive um troço. Ódio define. Terminamos pedindo milanesa num lugar que vendia uma promoção de um combo com duas Stellas. Quando chegou o delivery (Rappi), trouxe duas Brahmas. Ódio define. Depois de tanto ódio definindo tudo, fomos comer batata frita e tomar cerveja num bar com terraço. Era a minha condição para sair de casa: sentar ao ar livre. Chegamos, sentamos, passaram exatos 30 segundos e começou uma chuva torrencial.  Comemos e tomamos dentro do bar e fomos embora na chuva.


Sábado, 01/12 - Esqueci de comentar que ontem o Javi deixou cair seu celular pela milhonésima vez, e agora não ligava mais. Então, depois de muita pesquisa, hoje encontramos um dealer de celular e tivemos que fazer uma peregrinação em caixas eletrônicos, porque tínhamos que pagar em cash. No fim deu tudo certo e encontramos um youtuber argentino que a gente gosta saindo de um caixa eletrônico.

Domingo, 02/12 - Estava super animada customizando um abajur com fio de sisal e acabou o sisal. Fomos comprar mais no mesmo lugar que eu tinha comprado pela primeira vez e para minha surpresa saía o dobro que comprar ONLINE NO MESMO LUGAR. Entendeu? Voltei pra casa e comprei pela internet e vou buscar outro dia. No mesmo lugar. Pela metade do preço.

Sexta-feira, 07/12 - Muito bem. É amanhã. Essa semana não aconteceu nada demais, além de eu estar um pouco estressada porque agora o Javi acorda no mesmo horário que eu e fica falando comigo e usando o banheiro. Eu sou a própria reencarnação de Lúcifer quando acordo. Adeus, 28 anos.

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Cinco livrarias para conhecer em Buenos Aires

Ainda que algumas livrarias realmente tenham fechado as portas nos últimos anos em Buenos Aires, a cidade continua com aquele título que dá orgulho até nesta reles residente: o de cidade com o maior número de livrarias por habitantes no mundo.
Elas estão em toda parte, em todos os bairros, são grandes, pequenas, muito pequenas, pertencem a redes enormes de livrarias ou a livreiros independentes, vendem livros novos, livros usados, são desordenadas, chiques, clássicas, interessantes ou até meio sem graça. Todas convivem muito bem em um intervalo de espaço inimaginável para qualquer cidade brasileira. Dá pra “passar rapidinho” por umas três caminhando quatro ou cinco quadras, dependendo do bairro.
Eu não sei se tenho exatamente uma livraria favorita - El Ateneo Grand Splendid já não deveria entrar em nenhuma lista - e ainda falta conhecer várias, mas algumas das que mais gostei de visitar são essas abaixo.


Eterna Cadencia
Pequena e com uma seção de livros de arte/música bastante considerável para seu tamanho, a Eterna Cadencia te deixa bastante confortável ali dentro, principalmente na seção supracitada. Ninguém enche teu saco e nunca tem muita gente passando e atrapalhando tua concentração. É difícil (eu diria até impossível) encontrar best sellers, livros de youtubers ou de autoajuda. Na verdade, esse tipo de livro é difícil de encontrar em qualquer livraria que não seja nas grandes redes. Aqui Javi comprou pra mim um livro do Fante que eu queria e outro dia comprei um do Fante de presente pra ele. Além de tudo, o lugar é lindíssimo, tanto a parte da livraria quanto a do café. Desta lista, é a única que fui várias vezes.

Eterna Cadencia

Walrus Books
Pra quem mora em Belgrano, ir a San Telmo é quase uma viagem. Tem que se programar e pensar em tudo o que dá pra fazer no bairro pra não perder tempo. E uma visitinha a Walrus Books estava no roteiro de uma das últimas vezes que fui ao bairro. É uma livraria minúscula, provavelmente a menor em já que estive, e só vende livros usados, exclusivamente em inglês. A luz baixa, o cheiro de canela, os tons de vermelho e a forma das estantes dão uma sensação de estarmos meio fora da realidade, num filme ou pelo menos em um país europeu (se bem que muitas coisas em Buenos Aires fazem eu me sentir assim). Aqui Javi comprou pra mim The Polysyllabic Spree, uma compilação de textos do Nick Hornby, que estava baratinho.  


Fedro
Outra livraria para incluir no passeio a San Telmo. Passamos pela Fedro antes de ir à Walrus Books, e apesar de ser uma livraria de bairro e independente, a Fedro é bastante grande. A parte da frente é dedicada a novelas, biografias e congêneres, os fundos são para artes e livros infantis e, para nossa alegria, no segundo piso se encontram discos de vinil usados - diferente dos livros, que são todos novos. Encontrei vários títulos interessantes, mas com a Macrisis fica um pouco difícil adquirir livros novos, principalmente se não são edições de bolso.

Fedro

Falena
Só é possível ir à Falena se você sabe que ali se encontra a Falena. Tem um letreirinho na parede, mas nada te faz pensar que ali há uma livraria. É preciso tocar a campainha e esperar que alguém te abra e te pergunte se é a tua a primeira vez por ali. Respondemos que sim e a pessoa nos explicou rapidamente onde ficavam as seções e disse que no momento as mesas do café estavam todas ocupadas, menos as de fora, só que fazia frio e estava meio chuvoso. O café na verdade tem uma carta de vinhos como especialidade e até queríamos nos sentir ricos por um momento tomando uma tacinha, mas terminamos de recorrer todas as seções e ainda não tinha lugar livre na parte de dentro, então fomos embora. Além do vinho, a especialidade da Falena são livros de arte. Sabe essas edições enormes e lindas da Taschen? É o que mais tem. Depois, há uma seção de biografias no segundo piso e de novelas em uma salinha de vidro separada pelo jardim exterior. Muito lindo e chique, e claro que não compramos nada.
Falena
Libros del Pasaje
A última da lista é também a que faz mais tempo que não vou, não sei exatamente o porquê, já que vamos a Palermo de día com alguma frequência. Pertinho da passagem Russel, a Libros del Pasaje é tão linda quanto a Eterna Cadencia, tem mais ou menos o mesmo tamanho e as semelhanças incluem também um café, que começa ali quase no meio dos livros e segue em um pátio coberto. Com estantes altíssimas, alguns livros só podem ser retirados com uma escada móvel que está sempre indo de um lado pro outro. Já os livros destacados ficam no meio, em uns simpáticos carrinhos de madeira. Fomos cheios de expectativas, e a apesar de ser tudo muito lindo, o “carrot cake” que pedimos era uma das coisas mais secas e tristes que já passaram pelo meu estômago. O que não estragou minha impressão da livraria.

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

De volta a Belgrano

Adiós, Colegiales

Não deu tempo de ficar triste e nostálgica na semana em que deixamos a calle Aguilar e o bairro de Colegiales. Tínhamos tanto a fazer, entre empacotar, pintar o apartamento, começar a levar as coisas em partes, que simplesmente não sobrava espaço para a minha mente entender o que estava acontecendo. Agora que já passou quase um mês, começa a doer um pouquinho, tenho que admitir.
Nosso ex-apartamento era escuro, não podíamos saber se tinha sol ou se estava nublado sem colocar a metade do corpo para fora da janela, escutávamos os vizinhos tossindo, espirrando e sabíamos dos seus problemas familiares porque nossas janelas davam para suas janelas, mas fomos felizes ali. Quando chegamos, em setembro de 2016, não tínhamos quase nada, o apartamento ficou praticamente vazio por um tempo e devagarinho fomos montando tudo como a gente queria - e conforme a verba nos permitia - e amamos muito cada metro quadrado daquela escuridão, do piso de parquet que brilhava, do inverno que não era tão frio, do verão que não era tão quente. Por dois anos amamos também a calle Aguilar, provavelmente a mais bonita que já morei, e amamos estar tão perto de tudo e poder fazer tudo sem muita dificuldade. Eu amava poder ir ao trabalho a pé, mesmo depois de ter mudado de trabalho. Eram 15 quadras que me faziam pensar na vida, além de não gastar com ônibus nem me estressar com a demora e com gente me encoxando.
Mas a mudança era um plano concreto desde o dia em que descarregamos nossas poucas coisas ali. Queríamos ver o céu, sentir o sol, ver a chuva caindo, queríamos poder ter outras plantas que não fossem cactus e pagar um valor justo. E dois anos depois foi o que me devolveu a esse Belgrano que tanto amei outrora, antes de conhecer Colegiales. Eu sabia que ia doer. Eu sabia que a sombra das árvores e a tranquilidade de Aguilar não iam sair da minha cabeça tão rápido. Nem o supermercado chino que abría todos os dias até às onze da noite.
Voltar pra casa depois de um dia inteiro na rua não é mais a mesma coisa. Girar a chave na fechadura da porta do edifício é bem diferente e fica difícil não pensar constantemente nas coisas que eram muito melhores em Aguilar. Mas a gente sabe que está só começando. Que é diferente, mas que diferente não significa pior, e que provavelmente vai ser tão bom como era antes. A gente sabe que sente saudades de Aguilar por uma única razão: fomos muito felizes ali. A solução me parece ser feliz também em Vidal, agora com o sol entrando pela sacada. E se a saudade apertar... Bem, estamos a umas dez quadras.

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Buenos bares pt.15

Club Lucero (Nicaragua, 6948, Palermo) - Eu já tava meio do avesso quando fomos ao Club Lucero porque partimos diretamente de outro bar, então tomamos só um trago cada um. É mais barato que os novos bares chiques que estão abrindo na cidade e o ambiente é um pouco menos opressor. Não é temático, mas é bastante simpático, tem um jardim nos fundos, que não aproveitamos muito porque era ainda inverno. Voltaria.

Boticario (Honduras, 5207, Palermo) - Esse lugar já estava na minha lista de must go há muito tempo, amo bares inspirados em coisas estranhas, principalmente quando tudo gira em torno disso. O Boticario é ambientado em uma farmácia antiga, tudo ali tem a ver com remédios ou ervas que curam, desde a decoração até os nomes e a apresentação dos tragos. Os preços são proibitivos, mas vale a pena. Nem que seja para tomar umnzinho e voltar pra casa.



The Little Bar (Nicaragua, 4432, Palermo) - Esse bar atualmente é a sensação de Buenos Aires por uma única razão: cerveja artesanal barata. O preço da pinta - que não é lá grandes coisas - um sábado a noite é mais ou menos o mesmo que o de outras cervejarias em dia de semana em horário de happy hour, ou seja. Fomos a sucursal de Nicaragua, que de little nao tinha nada, são três pisos de bar.

Parque Bar (Thames, 1472, Palermo) - Na mesma linha do Boticario, o Parque Bar é inspirado na botânica e envolve tudo o que tenha a ver com plantas. Novamente, da decoração até o nome, apresentação e ingredientes dos tragos. Fui com Javi e com dois amigos, cada um de nós pediu dois tragos e a regra era não repetir. Com isso acho que acabamos provando quase todos os tragos de autor disponíveis na carta. Saímos muito mais pobres do que entramos, mas felizes.

Os bartenders não são tão bonitos como os de Uptown, mas fazem bons tragos

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Como Julian Casablancas me manteve no jornalismo

Há uns dois meses, sem qualquer vestígio de sarcasmo, Javier me perguntou:

Por que tu fez jornalismo se tu não gosta de falar com as pessoas?

Segundos de silencio.

Essa é uma pergunta que eu deveria ter feito a mim mesma há, sei lá, pelo menos uns 8 anos, e que, no entanto, jamais passou pela minha cabeça. Minto, lembro que quando estava no segundo semestre da faculdade desabafei algo relacionado a isso com um colega, que era mais ou menos meu amigo, já que tínhamos gostos em comum. Recém havíamos entregado um trabalho e comentei com ele que não gostava muito de fazer entrevistas. Ele, que também era meio introvertido, rebateu: “eu também não gosto de entrevistar o cara que vende pipoca no portão, mas pensa, tu não gostaria de entrevistar o Julian Casablancas?”
Sim, obviamente eu gostaria de entrevistar o Julian Casablancas. Mas então era esse o problema? O que eu não gostava era de ter que falar com gente comum, gente que eu não conhecia? Tinha sentido, afinal eu tinha entrado na faculdade de jornalismo para trabalhar na MTV Brasil ou na Rolling Stone (descansem em paz).
Nos estágios eu achava um saco entrevistar a maioria das pessoas que eu tinha que entrevistar. Eram poucas as vezes que eu me sentia realmente cômoda entrevistando alguém. Um dos dois programas de rádio que participei durante dois anos na universidade era um desses momentos. Eu realmente gostava. Entrevistávamos semanalmente personalidades da cultura catarinense, e era divertido porque éramos um grupo e porque era rádio. Rádio é o máximo.
Quando me formei e fui trabalhar como assessora de imprensa também achava um saco ter que ligar pro cliente para pedir uma declaração sobre a greve dos funcionários da rede hoteleira e uma reverenda tortura ligar para as redações para persuadir meus colegas jornalistas a publicar o release que eu tinha mandado. Mas tudo bem, provavelmente eu achava tudo isso horrível porque nenhum deles era o Julian Casablancas. Meu dia já chegaria.
Então finalmente fui trabalhar fazendo o que eu queria. Fui ser repórter de cultura. Era em um jornal de Florianópolis, mas era algo. Se não me engano, uma das primeiras pessoas famosas, e que eu era realmente fã, que entrevistei foi o Duca Leindecker. Por telefone. Eu, que tinha pavor de usar esse aparelho até para pedir pizza, estava ali tentando discar o prefixo de Porto Alegre com os dedos trêmulos. Não lembro de algo ter saído errado, mas lembro do meu nervosismo, da boca seca, do branco no cérebro. E depois do alívio de ver tudo anotado no bloquinho e de começar a melhor parte de todas: escrever. Escrever e depois ler o texto pronto era um prazer quase sexual.
Depois vieram Edu K, Duda Calvin, Andreas Kisser, Madeleine Peyroux, Nasi, Erasmo Carlos, Samuel Rosa, Valeska Popozuda, João Barone, Bumblefoot, Costanza Pascolato (os quatro últimos pessoalmente) e outros que já não mais me lembro, e em maior ou menor grau, a ansiedade sempre estava ali. Às vezes durava dias. Às vezes era difícil dormir. Imagina quando fosse o Julian Casablancas.

Não sei bem como responder isso. Talvez eu tenha me equivocado. Eu gostava de algumas coisas, tipo música, cinema, cultura pop e gostava de escrever e também de falar sobre essas coisas, então pensei que o jornalismo podia ser o caminho. Depois, quando estava no meio do percurso as pessoas começaram a dizer que eu fazia bem o que eu tinha me proposto a fazer e continuaram dizendo até eu finalmente deixar o jornalismo de lado. E eu deixei o jornalismo de lado porque percebi que o lugar que eu queria ocupar não existia. Acho até que existiu em algum momento, mas não existe mais e não vai voltar a existir. E tudo bem, tampouco vou dizer que doeu mudar.

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Buenos bares pt. 14

Berna Brothers (Zapiola, 1.502, Colegiales) - Em uma noite congelante de sábado estávamos procurando um lugar não muito longe de casa pra comer hambúrguer e por acaso encontramos no Google maps o Berna Brothers. Sim, sim, outra cervejaria artesanal. O ambiente é minúsculo, porém um pouquinho diferente das outras 1.352 cervejarias artesanais de Buenos Aires. A música é boa, mas a cerveja é mais do mesmo e os hambúrgueres não tinham muito gosto a coisa alguma. Eu sei que tinha prometido não frequentar mais cervejarias artesanais novas, eu sei. Nem leia o que vem abaixo.

Berna Brothers
The Temple Centro (Marcelo T Alvear, 945) - Para quase tudo na vida há uma explicação, e há uma também para eu ter ido ao Temple Centro anos depois de ter ido e confirmado a falta de graça das sucursais de Palermo e Recoleta. Fomos ao Mundo Lingo, de novo, dessa vez levando amigos. A unidade do centro, talvez a mais clássica de todas, mantém a proposta Irish Pub dos primórdios, diferente das novas que os donos foram espalhando pela cidade. O lugar é enorme e o personal é inversamente proporcional a isso. Pelo menos meia hora é o que você vai levar para comprar uma cerveja, que agora é de fabricação própria e não é lá grandes coisas.

Blest (Gorriti, 4857, Palermo) - Fui ao Blest em horário de after office para a despedida de um colega, não tinha muitas expectativas, mas apesar de todo o clichê usual tenho que admitir que a cerveja é uma das melhores que tomei. Como voraz consumidora do tipo Honey, essa foi a única que provei e que realmente tinha o gosto que se propõe, sem obviamente ser doce. O melhor é que como chegamos cedo, tínhamos 50% de desconto por uma hora e meia.

1516 (Cabrera, 5225, Palermo) - Na semana seguinte, outro after office para a despedida de outro colega. Novamente baixas expectativas, só que dessa vez atingidas com sucesso. O lugar é enorme, sem muita personalidade, tem cervejas artesanais de diferentes marcas, uma Honey medíocre, e o “happy hour” com valor fixo (e bastante alto, diga-se de passagem) faz com que não valha muito a pena estar ali. Mas o que mais me indignou foi o banheiro, cujos cubículos são separados por vidros transparentes texturizados, permitindo que você acompanhe todos os passos da colega ao lado durante suas necessidades - e ela os seus, claro. Para não dizer que é um completo desastre, a música é apropriada.

quinta-feira, 12 de julho de 2018

2018, segunda parte

Há algumas semanas venho pensando se deveria fazer uma nova lista de projeções para o ano, tipo 2018 pt. 2, porque incrivelmente na metade do ano eu alcancei todos, sim, eu disse todos, os meus objetivos para o ano. Tudo bem que não eram muitos e tudo bem também que a maioria dependia quase que exclusivamente de mim mesma, mas veja bem, até um emprego novo que me paga melhor eu consegui há exatamente um mês. Ou seja.

Eu fiz a famigerada tatuagem, apesar de não ter ficado satisfeita com o resultado, o que não vem ao caso agora.
Eu fui no show do LCD Soundsystem.
Eu viajei pro Chile.
Eu fui no show do Steven Wilson, não consegui um autógrafo no disco e ainda fiquei plantada na frente do hotel por oito horas como uma boluda, mas isso tampouco vem ao caso.
E, finalmente, mudei de trabalho.

Nesse ínterim comecei a aprender a tocar teclado, meio do nada, com um teclado midi do Javier e de seu amigo Javier, e me estava saindo bastante bem até que meu computador morreu e não pude mais praticar. Comprei um novo há menos de uma semana, mas como já esqueci tudo o que eu tinha aprendido meio que tá me dando preguiça de retomar. Entao acho que podía ser isso.

Projeções para 2018.02:

- Aprender a tocar teclado

E só, porque convenhamos que estou de parabéns.